COMO SURFAR NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Responsável pelo lançamento do Tinder no Brasil, Andrea Iorio explica como surfar na transformação digital

31/10/2019

COMO SURFAR NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

Se você está presente no ambiente digital, com certeza já fez a pergunta "Será que eu vou ser substituído(a) por máquinas no futuro?". A resposta ainda é uma incógnita, mas podemos adotar mudanças para conviver em harmonia com as tecnologias. Autor do livro 6 Competências Para Surfar na Transformação Digital (https://andreaiorio.com/pt/livro-andrea-iorio-2019/#ptllusbubxweyjzuyhrabqnpezofgvhfzrof), Andrea Iorio veio à Afilio para um bate-papo com o nosso time e deu dicas de ouro para quem está sentindo que ficou para trás e quer se reinventar nesta quarta revolução industrial, que já é uma realidade.

Em sua trajetória, são mais de 10 anos de experiência em multinacionais de tecnologia e destaques como o cargo de chief digital office da L’Oréal e diretor de marketing do Tinder, função que mudou sua vida. Durante os quase cinco anos que esteve à frente do app, Andrea Iorio foi responsável pelo lançamento na América Latina e no Brasil e colocou o país como o segundo melhor mercado do mundo para o Tinder. Ele também atua como investidor anjo dos aplicativos Zen (meditação), Filmr (edição de vídeo) e Scorp (networking de vídeos).

6 Competências Para Surfar na Transformação Digital

Para escrever a obra que entrou na lista dos livros de negócio mais vendidos pela Amazon na mesma semana de seu lançamento, Andrea Iorio realizou diversos estudos e combinou sua experiência pessoal e profissional, definindo as seis competências em:

Flexibilidade cognitiva: nossa capacidade de adaptação às novas situações;

Execução inovadora: habilidade de executar uma ideia inovadora. Tirar do papel e colocar em prática, não ficando apenas na teoria;

Especialidade em comportamento humano: é baseada em estudos de comportamento através da sociologia e antropologia, que são voltados para entender o cliente de forma aprofundada;

Pensamento crítico: nossa capacidade de analisar situações e desafiar o status quo;

Crescimento sustentável: priorizar o impacto positivo que a empresa causa e não pensar apenas no lucro absoluto;

Altruísmo digital: é o fortalecimento das relações e habilidades humanas como forma de diferenciação da capacidade das máquinas.

Algumas competências aplicadas

Na visão de Andrea Iorio, a transformação digital se trata de um assunto comportamental. Para entendê-lo, é preciso estudo e dedicação. Em entrevista, o autor exemplificou o processo de flexibilidade cognitiva através de etapas que são comuns aos seres humanos, como o sentimento de obrigatoriedade em dividir a vida em duas partes, sendo a primeira dedicada à formação escolar e acadêmica e a segunda voltada para a vida profissional. Esse sentimento faz muita gente ficar estagnada ao entrar no mercado de trabalho, deixando de lado a busca por conhecimento.

Saiba que a formação é apenas uma base para tudo o que você pode aprender e conquistar ao longo da carreira. O melhor exemplo disso é o próprio Andrea, que é graduado em Economia e mestre em Relações Internacionais, mas se tornou referência em marketing após entender a importância da área, se identificar e buscar adaptar o conhecimento que adquiriu ao longo da vida ao segmento.

– Esquecemos que nessa segunda parte da vida é preciso continuar se atualizando, pois na medida em que você passa a usar a educação como ponto de partida, vai conseguir explorar outras áreas e não necessariamente se apegar a sua especialização. É preciso desenvolver capacidade de adaptação ao conhecimento obtido durante a formação – contou Iorio.

Uma outra característica que se faz fundamental e vai gerar oportunidades de trabalho no futuro é a especialidade em comportamento humano. Não se trata de um aprendizado adquirido em uma formação acadêmica específica. A competência é alcançada através de estudos comportamentais baseados em ciências humanas e neurológicas. Contar com pessoas que possuem esse conhecimento é essencial para empresas que querem entender melhor o seu público, criar um relacionamento mais humanizado com o cliente e entregar exatamente o que ele espera.

– Muitas empresas associam a expressão "especialista em comportamento humano" a metodologias como construir grupos focais de clientes ou perguntar para as pessoas o que elas acham. Isso é ser superficial, fazer o que todo mundo faz, inclusive gastando muito dinheiro. Para ser especialista, é preciso estudar o comportamento humano a partir das áreas de sociologia, antropologia, neurociência e psicologia. Futuramente, todas essas matérias vão nos fazer entender que de fato as empresas precisam contar com esse especialista para obter resultados positivos.

Tendências para o marketing digital e o crescimento do marketing invisível

No início do texto, você acompanhou a reviravolta que Andrea Iorio viveu ao entrar para o Tinder. Além de ter lançado o aplicativo como conhecemos, ele aumentou os usuários em grande escala, aproveitando grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas para rodar campanhas de marketing digital. Andrea explica o sucesso do app aos efeitos de rede, ou seja, quanto mais pessoas entram no aplicativo, mais usuários ele atrai, porque "se torna interessante".

Durante o bate-papo na Afilio, o autor contou que muitas pessoas não entendiam o trabalho que ele realizava no Tinder, pois não viam propagandas. A propósito, você se lembra de ter visto alguma? Pois é. A associação da marca à publicidade realmente não era comum. Isso acontecia porque Andrea utilizava o formato de Marketing Invisível, que se diferencia da propaganda tradicional por anunciar um produto ou serviço sem falar diretamente sobre ele. Essa publicidade é disseminada através de um conteúdo que “tem cara de orgânico e se conecta verdadeiramente com as pessoas, além de surtir um efeito mais rápido, ser ágil e mais barato para as marcas”. O autor define o modelo como uma tendência para o marketing digital e o divide em três pilares principais:

1. Marketing de experiência: utiliza o sentimento de emoção do público para alcançar engajamento e fidelização. As empresas que aderem essa estratégia desenvolvem estímulos e respondem o cliente de forma personalizada, mostrando que se preocupa com o que ele pensa, para gerar uma boa experiência de compra.

2. Marketing aspiracional: o método é identificado na publicidade ou produto que é associado a um estilo de vida que se mostra atrativo aos consumidores que desejam tê-lo.

3. Marketing conversacional: é uma estratégia usada por empresas que querem oferecer uma experiência de compra mais personalizada e humana aos seus clientes. Para isso, elas usam ferramentas inteligentes, que ajudam a entender melhor os interesses e gostos dos mesmos, possibilitando uma comunicação estilo "um para um".

Exemplos de marketing invisível

Campanha do Tinder com a série The Mindy Project: A personagem principal da série é Mindy, uma mulher que sempre reclama por ser solteira, ou seja, perfil ideal para a proposta do app de relacionamento. Na campanha, que foi realizada com a Fox Entertainment, Mindy e outros personagens do programa ganharam um perfil no Tinder. Deslizando o dedo para a direita, o usuário encontrava descrições engraçadas e que batiam exatamente com a personalidade dos personagens. Caso dessem “match”, o usuário recebia uma mensagem pelo perfil do personagem, que pedia para quem estava do outro lado da telinha assistir ao próximo episódio da série.

Fora do Tinder, um exemplo de marketing invisível que marcou a vida dos brasileiros aconteceu na Copa do Mundo de 2010, quando Luis Fabiano bateu no peito de punho fechado para comemorar um gol. A cena levou a torcida à loucura, mas o ato fazia parte de uma propaganda da Brahma, que patrocinava a Seleção.

Outro formato que está colaborando para o desenvolvimento das novas mídias e tem muito a oferecer ao mercado é o marketing de afiliados. Através das redes de afiliados, os anunciantes encontram diversas alternativas para atingir o público que já não acompanha os meios tradicionais. O autor também vê como tendência para o marketing digital o investimento em mobile e inteligência artificial.

- Vejo um crescimento muito grande no setor de marketing de afiliados, porque estão se buscando cada vez mais alternativas aos veículos de mídia tradicionais. Ou seja, com essa evolução digital, os afiliados podem ter um papel muito importante no desenvolvimento das novas mídias. Também tem as plataformas de vídeos, o mobile como uma das tendências, a inteligência artificial como um mecanismo que garante uma personalização maior da experiência, entre outros.

Não é millennial? Tudo bem! Ainda dá tempo de dominar o mundo digital

Os millennials e Geração Z são os maiores beneficiários deste mundo cada vez mais tecnológico e estão criando uma concorrência preocupante para empresários que se firmaram no mercado antes da revolução digital. Se você acredita estar em desvantagem, é importante que se torne um altruísta digital, deixando os números um pouco de lado para valorizar mais as pessoas. Essa característica ajuda a melhorar o relacionamento com o cliente e propicia um crescimento sustentável para a empresa. Andrea Iorio destacou os primeiros passos para alcançar os objetivos, que abrangem mais duas das seis competências para surfar na transformação digital:

Primeiro: É preciso mostrar através do altruísmo digital, que é uma repriorização do ser humano, a disponibilidade para um contato mais direto, frequente e que acompanhe a jornada do consumidor do produto ou serviço oferecido pela empresa.

Segundo: Deve-se trabalhar todos os dias mostrando o verdadeiro propósito e o impacto positivo causado pela empresa, porque este fator é essencial para se conectar com as novas gerações e fazer com que elas tenham interesse no que está sendo oferecido.

– Os não-millennials, que são fundadores, líderes e gestores de empresas, estão vendo que ser altruísta traz retornos para o negócio seja atraindo novos talentos para a equipe, conquistando clientes e retendo e fidelizando os atuais, ou seja, priorizando o que temos de mais importante, que é o ser humano. Isso é fundamental, ainda mais em um cenário de digitalização, onde existe um pouco desse medo de sermos substituídos como profissionais e pessoas pelas máquinas e inteligência artificial – concluiu Andrea.