Head do marketing digital da Rappi Brasil e Latam: Gabriel Sampaio dá dica para o sucesso

Gabriel Sampaio, da Rappi, diz para focar em garantir boas experiências ao usuário

04/10/2019

Head do marketing digital da Rappi Brasil e Latam: Gabriel Sampaio dá dica para o sucesso

Entenda como a Rappi está mudando a forma de se fazer compras do dia a dia e os caminhos que a startup trilhou para fixar crescimento mensal de 30% nos dados no Brasil.

O modo de adquirir bens e serviços mudou e empresas lideradas por nativos digitais estão se consolidando cada vez mais rápido no mercado mundial. De olho nesta evolução, indústrias familiares passaram a buscar inovações para o seu negócio e na forma de se relacionar com o cliente. Pensando nas mudanças que o segmento do marketing digital pode ter nos próximos anos, a Afilio convidou Gabriel Sampaio para contar sobre sua experiência na categoria. Atualmente, ele é responsável pelo marketing digital da Rappi na América Latina e possui um vasto currículo como gerente de contas e coordenador na área de publicidade digital, com passagens por empresas como Afilio, Google e Criteo. Na visão de Gabriel, o cenário é favorável para os profissionais da área.

De acordo com a Euromonitor International, a expectativa é de que o comércio eletrônico supere o número de vendas em lojas físicas até 2021 e se firme como o maior canal de varejo do mundo. Com isso, tornou-se imprescindível a conexão entre indústria e cliente através da internet. Entender as adaptações do mercado e o comportamento do público na rede é o primeiro passo para traçar uma estratégia que gere aumento de leads e capital financeiro. Uma outra dica é investir no marketing de performance.

- É uma mudança muito constante. Conversar com profissionais, entender o ambiente e estar cercado por pessoas mais experientes é uma dica. Eu comecei em 2011 como social media de uma casa de shows (Lapa 40º Graus), em uma época que não tinha fan page, SAC, nem regulamento de promoções. Então eu aprendi bastante a lidar com o público, toda a questão de comunicar, interagir, promoções, dinâmica e para crescer número de seguidores. Depois, eu entrei na Afilio e comecei a explorar o marketing de performance, que me deu uma base para os trabalhos que fiz depois - contou Gabriel Sampaio.

Brasil falha em conexão, mas é líder em inovação na América Latina

Apesar de o Brasil ter uma velocidade de internet baixa em relação à média mundial, o número de pessoas conectadas à rede no país voltou a crescer. Dados da pesquisa TIC Domicílios mostram que, em 2018, o percentual de brasileiros na rede saltou para 70%, o que equivale a 126,9 milhões de pessoas. O celular continuou sendo o meio mais utilizado, seguido por computadores e SmartTVs. Entre as plataformas mais acessados na internet, destacam-se redes sociais (66%), aplicativos de táxi e carros (32%), plataformas de filmes e séries (28%) e Delivery (12%).

Considerada uma startup unicórnio, a colombiana Rappi pegou carona nessa onda e fixou crescimento de 30% ao mês nos dados no Brasil. O aumento de usuários está diretamente relacionado com tecnologia e marketing e um dos métodos que auxiliaram a empresa nessa escalada foi a implantação da plataforma israelense AppsFlyer, ferramenta utilizada como um potencializador de dados.

- Nós prezamos por ter diversas fontes de tráfego e isso foi uma das chaves do crescimento. Além do trivial que vem do Google e do Facebook, contamos com outros provedores de upload, DSPs e mídia programática e temos conseguido escalar na velocidade necessária para manter o crescimento de 30% por mês. A AppsFlyer é um aplicativo com um super potencial, que faz o mapeamento e uma estrutura para coleta de dados. A plataforma tem ajudado a estruturar o negócio. Sem esse parceiro, não teríamos chegado no tamanho atual e não estaríamos trabalhando com tamanho nível de profundidade, como acontece hoje - explicou o especialista Gabriel Sampaio.

Infográfico - Por onde os brasileiros acessam a internet?

Soluções caseiras

Mudanças no comportamento de consumo dos usuários de internet contribuíram para tornar o Brasil um polo de inovação na América Latina. Só em 2018, 43,7 milhões de pessoas fizeram compras através do e-commerce, enquanto ao menos 19% dos usuários venderam ou anunciaram produtos na internet. Com as pessoas cada vez mais conectadas, tecnologias surgem para atender as necessidades já existentes na vida do usuário e não mais como uma proposta de mudança de estilo. Com isso, investir nas aplicações mobile para se adaptar ao mercado consumidor se tornou uma alternativa inteligente.

- O Brasil, principalmente, cria soluções para o mercado interno. Temos o exemplo do Recarga Pay, que é um modelo de negócio que faz muito sentido para o mercado brasileiro, já que existe uma base pré-pago gigantesca. É preciso que as pessoas tenham no celular um aplicativo para recarregar com facilidade. Também o Chama, que é um app de gás. É difícil explicar para um norte-americano que você tem um aplicativo voltado para a venda de botijas de gás, mas é uma boa solução para o brasileiro, pois atende a necessidade de mercado local. Desenvolvendo esse tipo de solução, você ajuda a desenvolver o mercado com base nas necessidades do usuário - destacou Gabriel Sampaio.

Seguindo o exemplo, também destacam-se empresas que se consolidaram na rede e depois adaptaram seu formato ao mobile, como Mercado Livre, que segue a linha da eBay, mas foi criado na América Latina para atender o público da região. Métodos de pagamento também entram na lista, como o Pag Seguro, que se assemelha ao PayPal, e proporciona as "minizinhas" (máquinas de cartão sem anuidade) para pequenos empreendedores do Brasil.

Cenário positivo para marketing de performance

Marketing e empreendedorismo caminham de mãos dadas e a leve retomada de crescimento na economia brasileira (0,4% no segundo semestre de 2019) despertou a atenção de investidores. Ex-integrante do time de funcionários da Afilio, Gabriel Sampaio destaca que apostar no marketing de performance é um bom caminho para firmar um negócio na rede. Por meio dos afiliados, empresas do segmento obtêm tecnologias mais avançadas e também utilizam a coleta de dados para atingir o cliente ideal e garantir o retorno financeiro esperado.

- Em determinado momento, houve um movimento muito forte da Afilio e de outras empresas de buscar parceiros e afiliados fora do Brasil, onde estavam as melhores tecnologias. Hoje, o país possui um mercado muito mais profissional, os clientes são bem mais exigentes e os recursos disponíveis são abrangentes. Além disso, 90% dos dados que existem hoje foram criados nos últimos dois anos e há um cuidado com a privacidade. Os profissionais precisam realizar um bom trabalho com essas informações, usando os dados para gerar negócios, mas principalmente para entender o usuário e ser assertivo com ele. A ideia é sempre proporcionar uma boa experiência ao público.

A experiência obtida no período em que atuou no segmento de afiliados foi satisfatória para Gabriel, que aprendeu a valorizar o relacionamento com parceiros e a se portar como um bom cliente. Entre as técnicas desenvolvidas para realizar um bom marketing digital, o profissional destaca a importância de ter conhecimento sobre combate de fraudes, atribuição, como pressionar um editor e se posicionar diante dos colaboradores de mídia, além da realização de análise minuciosa dos resultados de campanhas.

O crescimento exponencial da Rappi abre possibilidades para novas parcerias com anunciantes. Entretanto, é imprescindível que o colaborador saiba realizar um bom trabalho com dados, desenvolva criativos e seja totalmente transparente.

- Hoje, a competição é muito maior. Na Rappi, temos parceiros que nos ajudam com análise de dados, então eles sabem quem é um bom usuário do app, onde ele compra e o que faz na rede. A partir daí, eles encontram pessoas similares. Também tem parceiro que cuida do lado criativo, com montagem do feed e outras soluções para veicular campanha. Um outro fator que difere um parceiro de outro é a forma como eles trabalham os dados. As fontes de tráfegos são praticamente as mesmas. O que muda é a inteligência por trás para fazer essa compra de mídia e é daí que vem o resultado. Então, ter uma capacidade técnica de entender o ecossistema e dominar as ferramentas, essa questão de escala, transparência e profissionalismo é primordial - concluiu Gabriel Sampaio.

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