Dia das Mães: Com uma década de experiência em marketing e e-commerce, Raquel Ventura conta como conciliar maternidade e trabalho

Conheça a mãe que é uma mistura de Mulher Maravilha com Highlander

08/05/2020

Dia das Mães: Com uma década de experiência em marketing e e-commerce, Raquel Ventura conta como conciliar maternidade e trabalho

A maternidade fez com que a Raquel passasse a trabalhar com ainda mais empenho e melhorou muito a relação dela com seus colegas e a equipe que lidera.

O ano de 2020 ficará marcado como um período de aprendizado, mudanças e muita saudade de conviver com pessoas queridas. Por conta das medidas de isolamento social, aniversários, Páscoa e outras datas comemorativas ganharam um outro estilo de celebração: à distância. Mas se engana quem pensa que esse novo hábito causou também a distância emocional, pois o carinho e a admiração só aumentam a cada dia, e ficam ainda mais fortes às vésperas do Dia das Mães.

Elas, que nem sempre podem estar presentes, viram essa realidade se transformar com a adoção do home office durante a quarentena. Trabalhando de casa, as mães conseguem acompanhar o desenvolvimento dos filhos e a família fica mais próxima. Claro que pode acontecer uma cena inusitada ou outra durante uma videoconferência, mas elas tiram de letra e mostram que dá para ser mãe e ocupar um alto cargo com sucesso.

Em entrevista à Afilio, a Coordenadora de Marketing e E-commerce Raquel Ventura, que é mãe do Joaquim de 1 ano e 11 meses, contou como está sendo essa experiência inédita e os desafios vividos em 10 anos de carreira no setor. Veja como foi o nosso papo para lá de descontraído.

Afilio: Você trabalha com Marketing e E-commerce há quantos anos? Conte um pouco sobre a sua experiência.

Raquel Ventura: Trabalho com marketing e e-commerce há 10 anos e estou na empresa atual há 4 anos. Considero que as experiências que vivi e vivo são únicas, evoluí muito como profissional, aprendi muito com os meus líderes e procuro passar isso para os meus liderados. Lá, eu realizei o meu maior sonho pessoal que era ser mãe, e pude dividir essa alegria com todos. Tive medo das consequências da maternidade, mas é possível sim conciliar. Hoje sou extremamente grata a companhia, meus líderes, colegas e a minha equipe e procuro dar sempre o meu máximo para conseguirmos atingir os objetivos juntos.

Afilio: Como é conciliar a maternidade com o trabalho?

Raquel Ventura: Hoje, eu já não vejo como uma tarefa muito complexa conciliar o trabalho e a maternidade, pelo contrário, com rotina e disciplina fica mais fácil. Mas como tudo na vida, essa trajetória de Mãe e Profissional tem seus prós e contras. Antes de engravidar, eu era uma pessoa/profissional completamente diferente, pois era impaciente e extremamente reativa a tudo. Agora, após a maternidade, tenho mais empatia, paciência e compreensão. Vejo o mundo de forma diferente e trato as pessoas como gostaria que o mundo tratasse o meu filho.

Acordo uma hora antes de todos para conferir mochila, uniforme, preparar a mamadeira, trocar meu filho e deixá-lo na perua, para então me arrumar e sair. Muitas vezes, mesmo após ser acordada pelo Joaquim a noite toda, estive presente em reuniões com todo empenho e atenção do mundo. Quantas vezes me culpei por deixar meu filho em uma escola com pessoas estranhas, mas que hoje fazem parte da vida dele e ele ama muito.

Hoje, me sinto responsável pelo crescimento saudável da empresa e do Joaquim. Quando chego em casa após um dia inteiro de trabalho, começa o meu segundo turno, então tiro a capa de profissional e coloco a de mãe, que é sentar, brincar, educar, estimular e dar muito amor. Além disso, fazer e dar o jantar, dar banho, colocar na cama, contar história, e enfim agradecer por mais um dia concluído. Com tudo isso, posso dizer que a maternidade contribuiu de forma positiva na minha vida profissional e pessoal.

Afilio: Como está sendo viver a experiência do home office com o pequeno Joaquim?

Raquel Ventura: Trabalhar em casa com um filho de 1 ano e 11 meses é nada mais, nada menos do que uma aventura. Para que isso não se tornasse uma tragédia, usei algumas artimanhas e muita disciplina. Procuro fazer reuniões nos horários das sonecas, e quando é necessário falar fora desse horário, primeiro informo aos colegas que a conversa terá uma trilha sonora de criança e desenho. E é claro que rola aquela negociação com o Joaquim, né?

Em casa, replico a disciplina e os horários da escola e os meus horários como se estivesse na empresa. Portanto, meu tempo de almoço é 100% dele e para as aulas online. Além disso, proponho brincadeiras e desafios para que ele fique envolvido durante um tempo maior enquanto eu trabalho, e me policio para que a atividade paralela não tire a minha concentração e foco.

Sem dúvidas, o diálogo foi muito importante para o Joaquim compreender que a mamãe está em casa, mas está trabalhando para ganhar "tutu" e comprar o carro que ele tanto quer (rola uma pequena chantagem aí rs). Mas, hoje, eu me tornei uma mistura de Mulher Maravilha com o Highlander.

Afilio: Você acredita que o mercado de trabalho é positivo para mulheres grávidas ou com filhos pequenos? Na sua opinião, o que precisa mudar?

Raquel Ventura: O mercado de trabalho não é nada positivo para mulheres com filho ou gestantes. Dados da Fundação Getúlio Vargas comprovam que quase metade das mulheres que tiram licença à maternidade perdem seus empregos em até 24 meses. Infelizmente, a maternidade ainda é um tabu na vida profissional, e para mulheres com filhos, os desafios no mercado de trabalho podem começar até antes da contratação. É como se a mãe tivesse que provar duas vezes mais o seu valor.

O mercado de trabalho não consegue enxergar o lado positivo da maternidade, que é o aumento da produtividade. Afinal, essa mulher tem um pequeno para alimentar, então vai dar tudo de si. Com a maternidade, a mulher também ganha capacidade para liderar equipes, pois consegue tirar o melhor das pessoas, entendendo o que é realmente importante para mantê-las engajadas, assim como faz diariamente com o seu filho. A capacidade de adaptação também melhora, pois até um tempo atrás era ela e o parceiro apenas. As mães precisam entender as diferentes mudanças que envolvem o crescimento de uma criança e funciona da mesma forma com uma equipe.

Todo esse processo garante facilidade para entender as transições no trabalho e se acostumar rapidamente a novas demandas. Na minha opinião, o mercado de trabalho precisa se reciclar. Muitas pessoas e empresas ainda têm a cabeça em 1810 e pensam que os homens saem para trabalhar e trazem o dinheiro que pagam as contas, enquanto as mulheres fazem a comida e cuidam dos filhos e da casa.

Afilio: Hoje, estamos passando pela pandemia do novo coronavírus e ainda não existe uma previsão de retorno das atividades e fim do isolamento social. O que você espera para o pós-pandemia? Acredita que o mundo pode se tornar um lugar melhor para o seu filho crescer?

Raquel Ventura: Espero muito que tudo volte diferente, que nada volte ao normal. O normal já ficou provado que é prejudicial. Não acredito que o mundo possa se tornar um lugar melhor, pois a humanidade precisa evoluir muito para que isso aconteça, e não vai ser em seis meses ou um ano. Mas acredito que a geração do Joaquim possa iniciar essa mudança para que tenha um lugar melhor.